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“Vai Ter Gorda” promove ato contra preconceito

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Tire seus padrões do caminho! As mulheres do movimento “Vai ter gorda”, vão realizar na tarde da próxima quarta-feira (13), às 14h um protesto contra a gordofobia na Baixa dos Sapateiros, bairro localizado no centro histórico de Salvador, conhecido popularmente pelo comércio de roupas.

De acordo com Adriana Santos, líder do movimento na capital baiana o ato reforça a luta contra o preconceito e a discriminação vivenciada por pessoas gordas.

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Declarou Adriana em resposta a um vídeo de desabafo compartilhado no Facebook , por Catia Sileide, que relata ter passado por constrangimento enquanto comprava em uma loja da região. 

Para quem não lembra, o movimento  “Vai ter gorda” deu o que falar  no mês de fevereiro, quando as meninas pisaram nas areias da praia de Ondina a bordo de seus biquínis coloridos com o objetivo de quebrar paradigmas

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Domingo é dia de: Ter gorda na praia, sim!

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Sol forte e temperatura marcando 31 graus na manhã deste domingo (14), na praia de Ondina, em Salvador. Na areia, mulheres empoderadas exibiam suas curvas a bordo de biquínis coloridos e fashions, deixando os banhistas de queixo caído com tamanha ousadia.

Em sua segunda edição, o movimento “Vai ter gorda na praia”, reuniu cerca de 15 mulheres, que não se moldaram aos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade, ou pela utopia do “corpo ideal”.

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Livres, gordas e felizes, as participantes do movimento levaram para as ruas cartazes e placas com mensagens contra a gordofobia. Adriana Santos, modelo plus size e uma das organizadoras do evento, revelou que a ação pretende elevar a autoestima da mulher gorda, expor para a sociedade que elas não aceitam mais o preconceito velado, além de  reforçar a luta e valorização da mulher.

O movimento que teve origem em Santos, cidade de São Paulo, teve sua primeira edição na capital baiana no dia 10 janeiro, tendo como objetivo uma proposta social e melhoria na qualidade de vida.

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“Não é só um banho de mar, nós vamos além para incentivar outras pessoas na questão da saúde, do cuidado com a pele, com o corpo, de uma mulher que sofre, que é discriminada em todos os ambientes”, ressaltou Adriana.

Sem timidez as participantes se despiam das roupas ao mesmo tempo que revelavam as experiências preconceituosas já vividas, em muitos casos o bulling começou ainda na infância. “Um vizinho me chamava de meio quilo, pois era baixinha e gorda, isso me martirizou”, contou a pedagoga Susana Fontoura que luta para incentivar outras mulheres a se amarem como são e não aceitarem a opressão.

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Para os normativos e autoritários fica o alerta – aceita que doí menos! Vai ter gorda na praia, no shopping, na balada, no mercado de trabalho e onde elas quiserem ir.

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LUTA E RESISTÊNCIA: Marcha do movimento negro ganha espaço no cenário baiano

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Salvador recebeu neste sábado (7), pela primeira vez a “Marcha do Empoderamento Crespo”, a caminhada aconteceu no bairro do Campo Grande e seguiu até praça Castro Alves. O movimento teve como objetivo colocar as questões sobre racismo e a afirmação da estética negra como política de empoderamento em evidência.

Naira Gomes, antropóloga e uma das organizadoras do evento falou sobre os padrões de beleza imposto pela sociedade, que coloca o negro no lugar de feiura, de pobreza de ignorância. “Queremos redefinir esses conceitos, para colocar também o perfil negro na pauta. Pretendemos afirmar o corpo negro como lugar de beleza, de competência, de inteligência e tudo que foi negado historicamente aos nossos antepassados”, afirmou Naira.

São Paulo foi a precursora do movimento após a Marcha do Orgulho Crespo, realizada no mês de julho. Porém, na capital baiana a luta ganhou outro contexto dentro da realidade de estigma e racismo, neste cenário o cunho político e estético foi destacado. A escolha do mês também é representativa e simboliza um mês de luta, pois no dia 20 de novembro é comemorado o dia da Consciência Negra.

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A mobilização massiva ocorreu na internet, no Facebook foi criado uma página, grupo e evento onde as pessoas confirmaram presença. Michelle Ribeiro, uma das participantes da marcha falou sobre a motivação para ir às ruas. “A união das pessoas negras e que querem assumir o cabelo crespo é uma forma de mostrar a sociedade que cada um tem uma forma e tem que assumir sem se importar com o que os outros vão falar”, afirmou ela.

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Foto: Alan Tiago

Ingrid Lima, estudante e adepta do movimento, falou sobre a experiência de assumir sua identidade: “Eu não me identificava nem mesmo como negra, que dirá que tinha cabelo crespo. Eu acho muito digno de ser realizado esse ato porque é importante debater as situações. Mostrar para as outras pessoas que você pode ser bonito do jeito que você realmente é, assim, as pessoas vão conseguir se identificar”.